COMO FICA? | Cerca de mil pedidos de aposentadoria estão parados na Baixada Santista

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Excesso de solicitações e falta de funcionários nas agências do INSS seriam os principais motivos

Há cerca de mil pedidos de benefícios previdenciários parados nas agências do INSS na região, segundo servidores que não quiseram se identificar. O número alto de solicitações e a falta de funcionários seriam a causa da demora para a concessão ou não de aposentadorias e pensões.

Dependendo do posto, ainda estão em análise processos físicos protocolados em julho do ano passado. Os funcionários encontram-se bem distantes da meta de dar a agilidade e a rapidez alardeadas pelo INSS com a implantação do modelo digital.

Vale lembrar que, desde abril, é possível entrar no portal Meu INSS (meu.inss.gov.br) para pedir aposentadoria por idade e por tempo de contribuição. O objetivo seria desafogar o atendimento nas agências da Previdência Social e diminuir a longa fila de espera, dando mais comodidade aos trabalhadores.

“Começaram a implementar o digital para diminuir a fila de espera do agendamento, que em várias unidades passava de seis meses, ocasionando o fechamento da agenda”, explica o representante do sindicato dos servidores do INSS, Pedro Totti.

De acordo com o sindicalista, antes disso, tentaram aumentar o número de atendimento nos postos. “Foi dada a ordem para pôr o maior numero de servidores para atender o público, o que ocasionou o represamento de processos”.

Números

Em média, chegam às unidades do INSS cerca de 300 processos físicos e digitais por dia. Na Gerência Santos, atuam hoje 272 funcionários. Não foi informado quantos deles fazem atendimento ao público e quantos analisam pedidos de benefícios.

Há um ano, no entanto, havia 307 servidores. De lá para cá, 35 se aposentaram, conta Pedro Totti. Em entrevista a A Tribuna, o diretor nacional de benefícios do INSS, Alessandro Ribeiro, disse que o uso da tecnologia é a aposta para evitar um apagão nos postos em 2019. Porém, a tentativa ainda não se mostra eficiente.

“Eles quiseram modernizar sem a devida preparação em infraestrutura e pessoal”, diz a advogada Cláudia Cavallini.

Longe de casa

Rodnei Fernandes, de 55 anos, mora em Santos. Porém, decidiu dar entrada na aposentadoria na agência de Cajati, no Vale do Ribeira e distante 231 quilômetros de sua residência. “Aqui só para fazer o agendamento estava levando três meses. Lá, consegui em dois dias dar entrada no benefício”.

Agora ele espera que a resposta saia na mesma velocidade. “Faz dois meses que estou esperando a análise do pedido. Acho que se fosse aqui seria muito mais”.

Resposta

O INSS nega que haja processos parados nos postos. De acordo com a assessoria, os processos físicos e digitais são analisados não somente nas próprias agências da região e Vale do Ribeira, mas também por grupos de trabalho que atuam na Gerência Santos.

Com isso, acrescenta o INSS, os pedidos feitos pelo modelo digital podem ser analisados remotamente por esses grupos de trabalho e os processos físicos ficam a cargo dos servidores nas agências.

Porém, não foi informado se há funcionários, seja nas equipes de trabalho ou nos postos, suficientes para atender e colocar a demanda regional em ordem.