CIDADANIA | Ato do Sindicato reivindica políticas públicas para mobilidade urbana de idosos e deficientes

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Texto Ricardo Flaitt / Foto Tiago Santana – O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos realizou, na manhã de hoje, 20 de setembro, em São Paulo, nos cruzamentos da Alameda Santos e da Avenida Paulista com a Consolação, atos para reivindicar melhorias na mobilidade urbana para idosos e deficientes.

O curto tempo programado nos semáforos é uma das inúmeras barreiras urbanas que idosos e deficientes enfrentam cotidianamente, deixando-os expostos a acidentes de trânsito e afastando-os do convívio social.

De acordo com estudos da Universidade de São Paulo (USP), os semáforos na capital paulista estão programados para que as pessoas tenham que avançar 1,2 metros por segundo até cruzar a faixa de pedestre. Índice que não condiz com a realidade de idosos e deficientes, que necessitam de mais tempo, na ordem de 0,8 metros por segundo.

Cidades como Barcelona, na Espanha, e Curitiba, no Brasil, já se atentaram à essa nova realidade social. Na metrópole catalã, os tempos dos semáforos foram reduzidos para 0,9 m/s. A capital paranaense deu um passo adiante, com a instalação de aparelhos nos postes dos semáforos, onde os idosos e deficientes passam um cartão eletrônico, indicando ao sistema de trânsito um ajuste no tempo, conforme suas necessidades. “Os governantes precisam começar a criar políticas públicas para adaptar as cidades ao segmento da população que possui necessidades diferenciadas”, destacou Marcos Bulgarelli, presidente do Sindicato dos Aposentados.

NOVO VELHO BRASIL

Fenômeno mundial, a população idosa é a que mais cresce também na sociedade brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os idosos já representam 30,2 milhões de cidadãos. As projeções indicam que, em 2050, os idosos serão 66,5 milhões de brasileiros.

Se por um lado o crescimento da população idoso indique (que as pessoas estão vivendo mais – o que não significa viver melhor -, em contrapartida, evidencia que as cidades não estão preparadas para acolher esse enorme contingente, que possui necessidades especiais. Para o médico Diógenes Sandim, “O Brasil tem urgência em começar a pensar mais nos idosos e nos deficientes como parte da sociedade, caso contrário, promoverão um ‘apartheid velado’”.

LUTA PERMANENTE

O próximo ato da “Campanha de Mobilidade Urbana” abordará a questão das calçadas, em que muitas são esburacadas, provocando acidentes à população idosa.