POSIÇÃO | A qualificação e o desemprego!

Opinião

João Carlos Gonçalves, (Juruna) - A taxa de desemprego no Brasil, que recentemente atingiu a casa dos 14 milhões de trabalhadores, vem apresentando, ultimamente, uma pequena melhora. Notícia animadora, mas ainda insuficiente para atender a altíssima demanda de desempregados trazida pela crise econômica. E esta lenta recuperação favorece, principalmente, trabalhadores homens e pessoas melhor qualificadas. Os trabalhadores menos instruídos mal sentiram qualquer avanço.

Estudos recentes atestam que o recuo da taxa de desemprego no País, em sua totalidade, passou de 13,7% no primeiro trimestre deste ano para 13% no segundo (queda de 0,7 ponto percentual). Já entre os trabalhadores menos qualificados, a taxa teve uma queda de 0,4 ponto percentual para aqueles com ensino fundamental incompleto, e de 0,1 ponto percentual entre aqueles sem instrução. As quedas mais relevantes ocorreram justamente entre trabalhadores com curso superior completo, de 0,7 ponto percentual, e aqueles com ensino médio incompleto, de 2,4 pontos percentuais. 

Mas existem algumas explicações para essa diferenciação na retomada do emprego. Os mais qualificados, principalmente homens, demoram mais para sentirem os efeitos trazidos pela crise, e, por possuírem maior experiência e capacidade produtiva, tendem a ser os mais procurados para trabalhar durante períodos de dificuldades. 

Os jovens, por exemplo, ainda não têm suas habilidades profissionais, sociais e sua experiência prática plenamente construídas, o que lhes impede uma recolocação no curto tempo e, pior, períodos prolongados de desemprego causa-lhes desânimo no início de carreira, o que pode, no médio e longo prazos, prejudicar suas expectativas. 

A Força sindical e suas entidades filiadas vão continuar sua luta por mais empregos e por qualificação profissional. O desemprego no Brasil é, ainda, o grande mal a ser debelado. Qualificar-se profissionalmente, mesmo não significando uma total imunidade nos períodos de crise e desemprego, tende a representar uma luz no fim do túnel ao menor sinal de recuperação econômica. 

João Carlos Gonçalves, Juruna, é Secretário-geral da Força Sindical e vice-presidente dos Metalúrgicos de São Paulo